sexta-feira, 15 de março de 2013

Asnos e crise nos preservativos

Li este artigo... e partilhar é um dever!

 
"Também conhecidos por empresários ou empreendedores, Portugal tem um milhão de patrões - a maioria de si próprios, por estarem registados em nome individual. Dos patrões esperam entretanto 3,6 milhões de trabalhadores no ativo, incluindo um pouco mais de 500 mil funcionários públicos, receber todos os meses o seu salário, muito ou pouco.
É das regras: existem patrões preocupados e apostados no desenvolvimento das empresas e no bem-estar dos seus funcionários; mas também há os retrógrados, os sanguessugas, adeptos da escravidão do pessoal. Já os assalariados, não nos enganemos, são também de vária casta: uns trabalham, são produtivos, justificam o dinheiro ao fim do mês e outros caracterizam-se por manguelice da pior espécie - e sempre roídos de inveja do parceiro do lado.
São raros os patrões dispostos a fazer marcha atrás, isto é, a passarem à condição de trabalhadores. Já há muitos trabalhadores a sonhar dispor do estatuto de manda-chuvas, prontos a criticar o dono da fábrica ou da mercearia por tudo e por nada, mas sem golpe de asa para o negócio (sério) e incapazes de arriscar um só cêntimo.
Os paradoxos resultam, apesar de tudo, em excecionais linhas de convergência. É o caso atual do mundo laboral português.
Representados por confederações ou sindicatos, patrões e trabalhadores coincidem: a austeridade está a arruiná-los e torcem o nariz a todas as decisões que não aligeirem o sofrimento das suas vidas.
Patrões e trabalhadores, desta vez, não têm nada de tolos.
Após o esboço de transferência (falhada) do peso da Taxa Social Única dos cofres das empresas para o bolso dos trabalhadores - uns a sentirem-se esbulhados, os outros temendo o fim da pacificação social e a transferência da turbulência para o interior das empresas - é a continuidade das políticas troikistas e o ar de bem-comportado do Governo a criar o uníssono: a obtenção de mais curtas margens do défice de Portugal carece de uma moratória superior a um ano. É a chamada posição sensata - ao arrepio de um Governo de gente sem experiência de vida, sequer do mundo laboral, e até agora atenta e veneranda a todas as imposições dos credores.
Em linguagem chã: os trabalhadores não têm dinheiro para mandar cantar um cego e sem o dito cujo não consomem e os patrões não faturam o que quer que seja, dos pastéis de Belém aos preservativos - sim, quem vive mal perde o apetite sexual.
Perante um conluio estratégico tão básico e lógico entre patrões e trabalhadores, o que mete impressão (ou dó?) é que não seja compreendido e não implique o imprimir de novas políticas por quem nos (des)governa.
Enganou-se, enfim, quem achava que uma tal coincidência de posições seria percebida até pelo mais propenso a comportamentos asnáticos."